segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Refletindo CULTURA brevemente

Na academia adquiri um senso menos comum com relação a algumas coisas. Uma delas foi a teorização da palavra “cultura”. Não tenho respaldo filosófico ou antropológico para discutir com propriedade. As disciplinas que me couberam tal conceito foram de algumas aulas de epistemologia e arte, nos moldes geográficos e literários.

Minha inquietação para esta exposição foi a relação entre música e cultura, em uma declaração de que determinada música “não é cultura”!

A ideia que tenho de cultura é daquilo que faça parte dos costumes de um povo. Com a oração proferida, coube-me pensar na abrangência do termo.

A sociedade critica o que não está inserido em certa subdivisão, a fim de agradar convencionalmente determinada estância social. Isso não acontece apenas com preferências musicais – tudo o que não agrada é lixo – como também em relação a lugares freqüentados, vestimentas, preferências alimentares de cada um, o qual interfere respectivamente no outro.

Se uma música é veiculada (para ouvir, para dançar, para manifestar), independente do público alvo e se ela tem ou não qualidade melódica e harmônica, ela faz parte da cultura. É fato, que canções de letras esdrúxulas circulam cada vez mais nas mídias, e é opcional ouvi-las. A questão de “gosto” não entra na discussão do que entendo por cultura. É questão de admitir o diverso.

Meu trabalho enquanto cantora, hoje, é me submeter, em conjunto com outras pessoas, a separar canções para um público específico ao passo que é também diversificado. Contudo, estamos expostos a ouvir esse tipo de comentário.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Minhas bodas de palha


Mais um ano desde o meu nascimento se passou e quanta coisa aconteceu. Lembro das comemorações (cada festinha surpresa, pedacinho de bolo), das conquistas, das viagens, de tanta história a contar. Com certeza não foram só bons momentos. Chorei de dor, perdi pessoas muito importantes, decepcionei-me com várias. Fui forçadamente aprendendo, mas isso também faz parte da vida. O tempo vai passando e mal percebemos como as coisas acontecem.

O que reflito hoje é em que pessoa me tornei.

Carrego algumas denominações. Sou filha, neta, irmã, prima, sobrinha. Sou universitária. Sou cantora. Considero-as “títulos”. Minha indagação é a respeito de quem sou em essência, do que gosto, das minhas virtudes, da minha capacidade de amar e de perdoar.

Vida. Eis que estamos aqui e talvez nem saibamos o que é viver. Alguns dizem que descobrimos quando ela acaba e outros dizem que ela ainda está por vir, na eternidade. Minha opinião? Às vezes penso que só estou fazendo os dias passarem, que me faltam contribuições. Esse pensamento é menos egoísta do que o de “fazer minha parte”, a qual nem sempre consigo realizar.

Quero fazer minha vida valer a pena. Sobretudo, porque a vida é minha e quem tem a autonomia para fazer as escolhas para isso sou eu. Contudo, evito monólogo. Não posso ser protagonista disso que chamo minha vida sem tudo que me cerca. Preciso da minha família, dos meus amigos, de um amor. E é a atuação desses antagonistas que completa o enredo, ainda que promova as intrigas. Disse Agnaldo Silva, ainda que em contexto ímpar, esta semana: “pessoas normais dão péssima dramaturgia”. Com todo meu discurso, ponho-me em contradição: seria minha vida uma representação, uma novela, uma peça? E a sua?

Tenho defeitos, muitos. O que sou, cada um que julgue ao bel prazer, todavia sei o que sou; só eu e Deus, que conhece meu pensar. De todo não sou má, porém, posso ser muito melhor. E assim vou seguindo, contando a vida pelos anos passados, pelas conquistas, pelas viagens, pelas cicatrizes, pelas pessoas que conheço, pelas que amo, pelas que se vão.

Agradeço a DEUS por mais um ano de vida! Pelas oportunidades (de estar viva, de poder comemorar, de agradecer), pela minha saúde, pelo alimento, pela vestimenta, por eu ter uma família que me acolhe, por eu ser tão falha e ainda ter o amor Dele.

Agradeço ainda a todos que me desejaram felicidades pelo meu aniversário, de qualquer forma. Recebi abraços, mensagens nas mídias sociais, presentes. Reconheço que essa mobilização demandou um tempinho de cada um, para escrever ou pensar em como me deixar mais feliz. Li todos, ainda que não tenha como ter respondido, e declaro, meu dia foi mais feliz por isso, sim!

domingo, 14 de agosto de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Ao lado" ou "do lado"?

Seguindo viagem, uma senhora dividiu a poltrona do ônibus com um desconhecido, que antes de sentar perguntou:
-Posso ir ao seu lado?
Com a expressão de riso, respondeu se acomodando no banco:
-Pode...!

O curto diálogo me fez pensar um pouco mais na sintaxe daquela pergunta. Eu e minha sensibilidade às palavras! Eu elaborava uma série de contextualizações para a mudança de apenas uma letra (a) na interrogação dele. Talvez minha resposta continuasse a mesma com tal alteração, porque eu saberia da intencionalidade do emissor naquela situação, mas o discurso seria outro, sim, se ele perguntasse "Posso ir do seu lado?" Preposições que se diferenciam por tão pouco e tanto.

Uma pessoa pode ir do lado, estar do lado, ficar do lado, seja em um veículo, ao seguir um mesmo caminho, sentado em um sofá, na cama... 'Do lado' exprime concretude, dá a ideia de corpos fisicamente mais próximos, alinhados lateralmente.

A diferença é sutil.

Ir, estar ou ficar ao lado confere união. É apoio moral, é acatar o pensamento do outro. A sutileza se finda em não ser necessário que dois corpos estejam juntos. Aquele desconhecido talvez ficasse ao lado da senhora, caso precisasse que ele a defendesse, ou não; mas do lado dela, ele já estava.

'Ao lado' é cumplicidade, é poesia. E acrescentaria que somente a capacidade de sentir que o homem possui, diferentemente de coisas e animais, dá-lhe a regalia de usar tal preposição.