terça-feira, 3 de março de 2015

Aliança


Domingo de manhã, 1º de março. Acordei impressionada por ter sonhado como nunca havia acontecido. Já ouvi minha mãe falando que não achava possível esse tipo de sonho, uma vez que ela também nunca tivera.

Então, foi simples e lindo: uma estrada, um arco-íris e a imagem de Deus em silêncio me olhando.

Talvez um questionamento: como reconhecer Deus? Imagem e semelhança de Cristo, um homem comum. No entanto, não muito próximo do que os homens costumam caracterizar; pois apensar de ter barba, o nariz largo e não estava com olhar sereno.

E foi isso que mais me inquietou. Tudo bem que para a psicanálise talvez se tratava apenas de uma construção da minha mente, mas por que ele não sorria?

Passei a refletir como andam minhas obrigações enquanto cristã, e não se fazem há muito. Embora eu tente sempre praticar o bem, talvez Deus queira algo de mim e tratou por sonho como fez com José. Além disso, na Bíblia o arco-íris é tratado como símbolo da união entre Deus e os homens, para que não esqueçamos da aliança que fez conosco. (Gn 9, 8-17) Recordo também ter sido este o Evangelho do domingo anterior - do qual participei finalmente na Santa Missa.

Parecia já ter sido suficiente receber um recado vindo diretamente dos céus. Porém, Ele sabia que eu precisava de mais.

Fiz uma viajem na segunda-feira de manhã. De carro. Ouvi despercebidamente na rádio a mensagem do Pe. Reginaldo Manzotti às 6 h da manhã. Chovia. E o arco-íris apareceu. Minhas lágrimas desceram e eu procurei insistentemente a imagem do Criador. Silenciei por minutos, e compreendi que a mensagem era onipresente, como tal, e que eu não preciso buscar por algo que nunca faltou comigo, apenas reanalisar minhas obras, pois Ele me aguarda ansiosa e carinhosamente.

Por tudo isso, acreditei ser nada mais justo que dar testemunho do que entendo ser minha mais linda relação com Deus!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Filme - Alfie, o sedutor



No começo, pensei ser um filme muito machista, ao mesmo tempo que mostrava uma realidade: algumas mulheres custam a acreditar nos homens.

Não há necessidade de narrar o filme, até porque seria anti-ético. Logo, depois de viver do jeito que queria, de maneira inconsequente, Alfie se vê sozinho, lamentando-se pelos erros. E no vídeo, a cena final. Na verdade, ele não responde, mas reflete que bens materiais não suprem o valor de um amor verdadeiro!


O que é mesmo importante? 

Mariana Lorena


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O amor é brega?



Falar de amor parece piegas, brega, ultrapassado.
Entendo que o século XXI não tenha sido dos mais cheios de amor pelo mundo. Muitas guerras, muitos casais se desfazendo, muitas desesperanças... Coisas ruins, apenas? Não podemos falar isso. A contrapartida de lutas pela paz, casais se formando e expectativas por um mundo com mais amor também existe.
Isso me lembrou o pai de um amigo músico dizendo “Vai tocar em casamento hoje? Quem foi o doido desta vez?” E ainda existem casais acreditando no amor, selando o matrimônio, tão abençoado por Deus, a cada dia, a cada mês. Esse pai do meu amigo tem um casamento aparentemente sólido. E os novos casais também parecem estar convictos o bastante para o aceitamento do mandamento.
Problemas... Dois ou três. Com as palavras. Primeiro com “aparentemente”. Não adianta querer avaliar, julgar ou só admirar. Ninguém de fora saberá de tudo o que se passa entre um casal. Ponto. Em seguida, com o verbo “parecer”, dito em seguida só por ordem de acontecimento dos fatos, porque na verdade o “aparentemente” já é derivado desse verbo. Portanto, entenda-se a mesma explicação: “nem tudo o que parece é!”. Em terceiro, a própria palavra motivadora da discussão: “problema”. Mais um ditado “e cada um com os seus”. É, e todo mundo os tem, ok? Primeiro problema surgiu, tchau amorzinho. Simples, não é? Eu diria que são pessoas sem coragem, as quais esperam pelo outro sem avaliar a si. Ou pessoas sem sentimento, uma vez que não gostar implica não lutar. Sei lá...
Quando dizem que falar de amor é brega, talvez seja em consequência de como as pessoas têm entendido do que seja esse sentimento – e antes que pense que entendo, sou apenas mais uma daquelas pessoas que julgam, mas falam em terceira pessoa, e isso parece não me incluir. Parece. Assim, quantos apaixonados de verão? Ou de inverno, primavera, tanto faz, o fato é que são passageiros amores. Pronto: paradoxo. Dizem também que amor não é passageiro. Então a falha talvez esteja no engano. Hã? Engano de que será algo mais duradouro e intenso o suficiente para chamar de amor, e de repente, acaba. Acontece. Não é só a juventude inconsequente que age assim, mas quem se disponha a conviver com o outro.
Bingo! Convivência! Já diz Padre Dalmário: “só sabemos que o casamento deu certo quando o amor termina”. Antes que recriminem, já sei, nunca casei. Contudo, refletindo a respeito disso, a princípio não é coerente. Ora, se casamos por amor... Eis que sentimento complicado! Quando é amor de verdade não acaba e o casal precisa cultivar a cada dia essa união. Também. Acredito que o padre quer dizer que casar é mais que amar, é conviver. É se incomodar com o defeito do outro e ainda assim aceitar o preço de estar junto daquela pessoa, que bem mais faz feliz e tem tantos defeitos quanto você.
Retomo a ideia de amar ser piegas. É porque no passado era mais fácil estar junto a outrem? Não sei se procede o pensamento. Basta analisar a posição da mulher na sociedade antes, que nem sequer podia sair de casa e era submissa ao esposo, e hoje, onde livre arbítrio e orgulho falam muito mais alto. Logo, existe uma inversão de valores, os quais a elevação da mulher na hierarquia social entra em declínio. Valorização do corpo escultural como sendo em prol da saúde física, exibicionismo ou os dois? Diversões noturnas com a finalidade de distrair, de procurar pessoas ideais, de tentar burlar uma solidão ou os três? É como mais um contraponto entre o que é e o que parece ser, quem sabe. Hã? De novo.
Com tudo isso, chega um ponto que amar parece ser errado. Ah... Já sabemos que só parece. A pessoa evita criar laços afetivos só por medo de errar. Medo de não corresponder: frustração, desengano, bloqueio. Amar é chato mesmo. É difícil. É não saber se está no caminho certo – muito menos quando se fala a respeito dele –, é ter que ceder a própria vontade em nome do outro, é silenciar... Poxa! Alguém ainda quer amar? Cadê as vantagens? Ah... São simplórias, só ama quem não tenta demais. É tomar sorvete, ver filme, brigar, brigar, brigar, pedir dinheiro emprestado, chorar e minutos depois rir de cócegas, saber ouvir, saber as palavras certas para dizer, brigar, brigar, brigar. Ufa! Bem mais cansativo e recompensador. Como tudo que é bom requer.
E a gente nunca consegue falar de amor. Por quê? Sem mais perguntas.

Mariana Lorena

domingo, 22 de julho de 2012

Um dia do amigo


Passou-se a semana do dia do amigo. Muitos recados nas mídias sociais durante o dia inteiro. Recebi recados de quem eu nem poderia imaginar, assim como de alguns amigos verdadeiros, mas nem todos, como pessoas que de tão amigas não se preocuparam em dizer algo óbvio assim.

Não enviei mensagens. Primeiro, porque meus amigos do peito reconhecem meu carinho sem que seja necessário se deixar influenciar por uma data; segundo, porque gostaria de enviar uma mensagem diferente a cada um deles, direcionada pela intensidade dos momentos que vivemos, os quais com cada amigo são de alguma forma ou de outra; em terceiro lugar, porque já me decepcionei com amizades e desejar um feliz dia do amigo aleatoriamente, quando aqueles meus ex-amigos poderiam fazer parte da comemoração me incomoda. No entanto, dizem que não há essa coisa de ex com amigos. Se for amigo mesmo, é pra sempre, como o amor.

Eu tive um feliz dia do amigo, e também tenho certeza que meus amigos verdadeiros têm esse desejo para mim todos os dias do ano: que eu esteja feliz. Desejo o mesmo! Principalmente aos mais chegados, com certeza já ouviram de mim, que mesmo conhecendo o erro de suas escolhas e aconselhando o melhor aos meus olhos, o que me importa é a felicidade dele. A beleza da amizade, diferentemente de um relacionamento de casal é a falta de cobrança que o outro acerte sempre. Se o outro erra é com o amigo que ele conta. Isso serve não só para erros, mas para empréstimos, choros e para se compartilhar ótimos motivos de alegria.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Felicidade é estado.


Dizem que a felicidade é um estado de espírito. Acredito. Uma pessoa não pode estar feliz o tempo todo; por mais que ela seja de coração puro e sorriso estampado no rosto a tudo e por qualquer motivo, certamente em algum momento ela pára. Eu gostaria de ser daquelas pessoas que veem sempre o lado positivo das coisas, mas acho que não levar a vida assim, também seja questão de atentar para a realidade, para as velhas dores do mundo. Sorrir o tempo todo só para que os outros não perguntem “você está bem” pra mim é hipocrisia.
E outra coisa é chegar sorrindo nos lugares só pra forçar a amizade ou no meu caso, por hipotetizar que em tal ambiente haverá alguém que me conhece. Ah, nem todo mundo me conhece. Sabe, se me conhecem pelo que eu faço, que coisa boa! Só não vou usufruir de qualquer dom que eu tenha (ou não) para me vangloriar. Em outras palavras, não sou simpática por obrigação.
 Claro, que nós procuramos expor nossas conquistas, diferentemente de quando estamos na merda, porém, será que tais demonstrações não passam de exageros, farças ou auto-confirmações em busca de elogios? Fico a pensar quantos lerão, quantos concordarão, quantos criticarão meu desabafo textual... E ficar se policiando a toda hora pelas palavras ditas, acredite, é um saco! Pior ainda é abrir um leque de possibilidades no que o outro está discursando, sobretudo quanto a textos escritos: com que diabos de entonação escreveram isto?
Eu, particularmente, estou cheia de alegria. E estou aqui, diante de tais linhas ininterruptas, vomitando minha angústia: os outros precisam saber disso ou não? Por um lado, “ninguém tem nada a ver com isso”, por outro, danem-se os problemas e as tristezas, pois eu estou feliz e nesse mundo tão louco, vale o pouco dessa real importância!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Refletindo CULTURA brevemente

Na academia adquiri um senso menos comum com relação a algumas coisas. Uma delas foi a teorização da palavra “cultura”. Não tenho respaldo filosófico ou antropológico para discutir com propriedade. As disciplinas que me couberam tal conceito foram de algumas aulas de epistemologia e arte, nos moldes geográficos e literários.

Minha inquietação para esta exposição foi a relação entre música e cultura, em uma declaração de que determinada música “não é cultura”!

A ideia que tenho de cultura é daquilo que faça parte dos costumes de um povo. Com a oração proferida, coube-me pensar na abrangência do termo.

A sociedade critica o que não está inserido em certa subdivisão, a fim de agradar convencionalmente determinada estância social. Isso não acontece apenas com preferências musicais – tudo o que não agrada é lixo – como também em relação a lugares freqüentados, vestimentas, preferências alimentares de cada um, o qual interfere respectivamente no outro.

Se uma música é veiculada (para ouvir, para dançar, para manifestar), independente do público alvo e se ela tem ou não qualidade melódica e harmônica, ela faz parte da cultura. É fato, que canções de letras esdrúxulas circulam cada vez mais nas mídias, e é opcional ouvi-las. A questão de “gosto” não entra na discussão do que entendo por cultura. É questão de admitir o diverso.

Meu trabalho enquanto cantora, hoje, é me submeter, em conjunto com outras pessoas, a separar canções para um público específico ao passo que é também diversificado. Contudo, estamos expostos a ouvir esse tipo de comentário.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Minhas bodas de palha


Mais um ano desde o meu nascimento se passou e quanta coisa aconteceu. Lembro das comemorações (cada festinha surpresa, pedacinho de bolo), das conquistas, das viagens, de tanta história a contar. Com certeza não foram só bons momentos. Chorei de dor, perdi pessoas muito importantes, decepcionei-me com várias. Fui forçadamente aprendendo, mas isso também faz parte da vida. O tempo vai passando e mal percebemos como as coisas acontecem.

O que reflito hoje é em que pessoa me tornei.

Carrego algumas denominações. Sou filha, neta, irmã, prima, sobrinha. Sou universitária. Sou cantora. Considero-as “títulos”. Minha indagação é a respeito de quem sou em essência, do que gosto, das minhas virtudes, da minha capacidade de amar e de perdoar.

Vida. Eis que estamos aqui e talvez nem saibamos o que é viver. Alguns dizem que descobrimos quando ela acaba e outros dizem que ela ainda está por vir, na eternidade. Minha opinião? Às vezes penso que só estou fazendo os dias passarem, que me faltam contribuições. Esse pensamento é menos egoísta do que o de “fazer minha parte”, a qual nem sempre consigo realizar.

Quero fazer minha vida valer a pena. Sobretudo, porque a vida é minha e quem tem a autonomia para fazer as escolhas para isso sou eu. Contudo, evito monólogo. Não posso ser protagonista disso que chamo minha vida sem tudo que me cerca. Preciso da minha família, dos meus amigos, de um amor. E é a atuação desses antagonistas que completa o enredo, ainda que promova as intrigas. Disse Agnaldo Silva, ainda que em contexto ímpar, esta semana: “pessoas normais dão péssima dramaturgia”. Com todo meu discurso, ponho-me em contradição: seria minha vida uma representação, uma novela, uma peça? E a sua?

Tenho defeitos, muitos. O que sou, cada um que julgue ao bel prazer, todavia sei o que sou; só eu e Deus, que conhece meu pensar. De todo não sou má, porém, posso ser muito melhor. E assim vou seguindo, contando a vida pelos anos passados, pelas conquistas, pelas viagens, pelas cicatrizes, pelas pessoas que conheço, pelas que amo, pelas que se vão.

Agradeço a DEUS por mais um ano de vida! Pelas oportunidades (de estar viva, de poder comemorar, de agradecer), pela minha saúde, pelo alimento, pela vestimenta, por eu ter uma família que me acolhe, por eu ser tão falha e ainda ter o amor Dele.

Agradeço ainda a todos que me desejaram felicidades pelo meu aniversário, de qualquer forma. Recebi abraços, mensagens nas mídias sociais, presentes. Reconheço que essa mobilização demandou um tempinho de cada um, para escrever ou pensar em como me deixar mais feliz. Li todos, ainda que não tenha como ter respondido, e declaro, meu dia foi mais feliz por isso, sim!